Natal
Ação comunitária
Com o tema “Juventude: Fazer Acontecer” o ProJovem de Natal promoveu um evento público para apresentação do Plano de Ação Comunitária (PLA), elaborado pelos alunos dos núcleos da Estação Juventude I.
No evento, foram exibidas peças de teatro, bandas musicais e danças folclóricas. Protagonizadas pelos próprios alunos do ProJovem, as manifestações artísticas foram montadas e elaboradas com base nos temas escolhidos pelo Plano de Ação Comunitária, que são: juventude e limpeza; juventude e prevenção; diga não à violência; saúde é qualidade de vida; DST-Aids e gravidez na adolescência; lazer; prevenção e valorização do patrimônio histórico; planejamento familiar e bucal.
Participaram do evento alunos dos núcleos Adelina Fernandes; Malvina Cosme; Palmira de Souza e Zuleide Fernandes, da Estação Juventude I. O evento também contou com a presença de moradores das comunidades das regiões que integram os núcleos.
Os PLAs são elaborados de acordo com
conceitos de democracia, participação, cidadania,
trabalho voluntário e comunitário.
São desenvolvidos nas salas de aula, montados
com a ajuda dos professores de Ação
Comunitária e com base nas experiências
adquiridas através das visitas às comunidades. “Os alunos fazem uma avaliação dos
problemas encontrados e elaboram o plano
de ação comunitária. O objetivo é contribuir
para a redução desses problemas “, explica
a Coordenadora de Ação Comunitária
do ProJovem de Natal, Ednalva Couto. Entre
os problemas identificados pelos alunos,
a coordenadora destaca a destinação do
lixo, a gravidez na adolescência, a violência
e prevenção às drogas e a falta de bibliotecas
comunitárias.
Alunos criam projetos sociais
Estação Juventude III do ProJovem de
Natal também realizou apresentação
dos planos de ação comunitária. Os temas
abordados pelos alunos da estação foram:
violência; gravidez na adolescência; prevenção
às drogas, saneamento básico; revitalização
da creche do Bairro Planalto; execução
de campanhas em favor da paz; preservação
do meio ambiente, implementação do
Projeto Praça da Amizade e prevenção à saúde
sexual e reprodutiva. A coordenadora ressalta
que a ação comunitária tem como finalidade
envolver os alunos em projetos sociais. Segundo ela, o projeto se torna de fundamental
importância, principalmente, para
os jovens que não estão inseridos no mercado
formal de trabalho e que se encontram expostos
a situações de vulnerabilidade social.
“Nossas equipes pedagógicas ajudam
os alunos na aquisição de competências e
habilidades, contribuindo para a construção
e pleno exercício da cidadania”, observa
Ednalva. A coordenadora lembra que os temas
são escolhidos pelos próprios alunos,
de acordo com pesquisas realizadas junto às comunidades.

Evento com teatro,
música e
dança marcou a
apresentação do
Plano de Ação
Comunitária
São Paulo
Diversidade sexual em debate
O ProJovem foi responsável por uma iniciativa pioneira no Brasil, ao discutir a questão da diversidade sexual na escola. Os especialistas destacaram, entre outros assuntos, o alto índice de evasão escolar por parte de alunos homossexuais.

Discriminação e
preconceito são
trabalhados dentro
da escola
No início das aulas, a Coordenação Municipal do ProJovem em São Paulo se deparou com uma questão complexa e inusitada. O aluno, que na lista de chamada constava como David, apresentou-se como Katlen. Embora vestido como mulher e usando cabelos compridos, continuou sendo chamado de David. A situação chamou a atenção da coordenadora de Ação Comunitária, Ana Paula Rossini, que resolveu intervir: “Vamos escutar o que ela tem a dizer”.
Katlen explicou sua condição de transexual, contou sobre suas dificuldades e pediu para que fosse chamada pelo nome feminino que adotou. Conseguiu, e foi oficializada na lista de presença. Superado o problema do nome, surgiu um outro: o banheiro. Preferia o banheiro feminino, mas a inspetora sugeriu que usasse um outro, um terceiro, mais neutro, já que no masculino se sentia constrangida. Katlen explicou que se sentia bem no banheiro feminino e, se as meninas não se importassem, gostaria de usá-lo. “Lá não sou maltratada e estou entre iguais”, argumentou. Depois de muitas discussões, passou a freqüentar oficialmente o banheiro das alunas.
O caso de Katlen desencadeou uma grande discussão. A discriminação e o preconceito começaram a ser trabalhados dentro da escola. “Conseguimos um ganho qualitativo com tudo isso. Não foi fácil, mas valeu a pena. Hoje sinto que a escola está bem mais adaptada para lidar com uma questão que é mundial”, explica Ana Paula.
Soluções para lidar com as diferenças
O caso da transexual, e de outros
que surgiram com diversas matrículas
de alunos homossexuais, levou
o coordenador Pedagógico da
Estação Juventude São Miguel Paulista,
Paulo Vieira, a organizar o seminário
Diversidade Sexual no Espaço
Escolar. No evento, o assunto foi abordado
profundamente por especialistas
da área. “O seminário trouxe soluções
concretas para lidar com a diversidade.
No entanto, com relação à ação pedagógica, ficou claro que tem
muito trabalho a ser feito para melhorar
a situação”, afirma Paulo Vieira.
Uma das palestrantes do evento,
a professora da Faculdade de Educação
da Universidade de São Paulo
(USP), Marília Pinto de Carvalho, considera
que a aceitação da condição
de Katlen é uma exceção. “Há um
certo padrão de homem e mulher que
a escola não consegue romper”, observa
a educadora.
Entre os diversos assuntos discutidos
no seminário, foi destacado o
alto índice de evasão escolar por parte
de alunos homossexuais. “Desde
cedo, eles se percebem diferentes e
aprendem que são considerados inadequados”,
ressalta a fundadora do
Grupo de Pais Homossexuais (GPH),
Edith Modesto, que também participou
como palestrante. Para ela, esteé um dos principais motivos que levam
ao abandono da escola.
