
Alerta para a saúde dos homens
Preocupado com o agravamento das doenças masculinas e com a diminuição na expectativa de vida dos homens, o governo federal está lançando um programa de saúde específico para a população masculina
Embora tenham sido rotuladas durante anos como o sexo frágil, as mulheres vivem mais do que os homens. Todas as pesquisas divulgadas na última década revelam que a expectativa de vida das brasileiras é superior a dos brasileiros. A mais recente, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, mostrou que elas vivem, em média, 10 anos a mais do que eles. O mesmo estudo aponta que a diferença na expectativa de vida é causada por fatores culturais, ou seja, os homens morrem mais por causas relacionadas à violência, acidentes de trânsito, álcool, fumo e, sobretudo, pela falta de cuidado com a saúde.

Rômulo Maroccolo:
quanto mais cedo o
tratamento, melhores
são os resultados
“Quando os homens procuram um médico, na maioria das vezes, já chegam com as doenças em estágio avançado”, conta o urologista, Rômulo Maroccolo, que coordena o Serviço de Urologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Segundo ele, muitas doenças, como o tumor de testículo, câncer de próstata ou câncer de pênis, seriam mais fáceis de curar se eles buscassem ajuda médica na fase inicial. “Se não forem tratadas precocemente, estas enfermidades, quando não causam a morte, deixam graves seqüelas”, alerta Maroccolo. O ideal, na sua opinião, seria que os homens começassem a se tratar com especialistas desde a adolescência, quando iniciam os problemas hormonais.
O agravamento das doenças masculinas preocupa as autoridades da área. O Ministério da Saúde, em conjunto com a sociedade civil, já está preparando um programa específico de atenção à saúde dos homens. A nova política, que deverá ser lançada até abril deste ano, irá abranger, não apenas os problemas de saúde dos homens (hipertensão, diabetes e câncer), como também outras causas que são as responsáveis pelo aumento no índice de mortalidade da população masculina (violência, suicídio, alcoolismo, tabagismo e uso de drogas).
“O programa será integrado por ações que terão como objetivo sensibilizar a população masculina a adotar hábitos saudáveis, como dieta rica em fibras, a prática de atividades físicas e a prevenção de doenças”, explica a assessora da Secretaria de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, Neidel Spínola da Costa.
Já a Sociedade Brasileira de Urologia está lançando uma campanha de combate ao câncer de próstata, doença que atinge cerca de 400 mil homens em todo o país e que já causou a morte de oito mil deles.
Mas, para a assessora do Ministério da Saúde, a questão masculina é bem mais complexa e vai além do câncer de próstata. Os fatores sociais de violência, segundo ela, explicam parte dessa complexidade. “A violência causa por ano a morte 120 mil pessoas, sendo que 80% das vítimas são homens”, ressalta Neidel.

Pouca gente
sabe que o câncer
de testículo é
mais comum em
jovens do que
em homens mais
velhos. Pode
aparecer entre
os 15 e 40 anos,
e as chances de
cura chegam a
80%, se for detectado
e tratado
precocemente.
Auto-Exame
Apesar de ser menos freqüente, o câncer
de testículo é mais comum em jovens do que
em homens mais velhos. O tumor pode ser
desenvolvido entre os 15 e 40 anos e, se for
diagnosticado e tratado precocementeDiagnóstico e tratamento
precoces significam
descobrir a
doença no início e
tratá-la imediatamente., as
chances de cura chegam a 80%. Como, normalmente,
o tumor atinge apenas um testículo,
a vida sexual e reprodutiva do homem não é
prejudicada. No entanto, os especialistas advertem
que o tumor pode levar à morte.
Assim como o câncer de mama nas mulheres, o de testículo pode ser diagnosticado com o auto-exame, que deve ser realizado mensalmente. O ideal é que o exame seja feito em pé, em frente a um espelho, procurando alterações na pele do escroto e examinando cada testículo cuidadosamente. Se sentir dor,é sinal de que poderá haver algo errado. Neste caso, deve se procurar um médico, de preferência um especialista.
Existem ainda outras doenças próprias dos homens que, muitas vezes, não são diagnosticadas por vergonha ou preconceito. Uma delasé a impotência sexual, que, segundo estimativas, atinge mais de 10% da população adulta brasileira. A falha na ereção do pênis, de acordo com especialistas, pode ser causada por fatores psicológicos ou físicos. Nos homens jovens, abaixo dos 35 anos, geralmente predominam os problemas psicológicos e nos homens com idade superior aos 50 anos, os fatores orgânicos são as causas mais comuns.
Os problemas de ausência de ereção devido
a fatores psicológicos somente podem ser
diagnosticados por médicos especialistas. Já
a impotência de fundo orgânico pode ser causada
por doenças como: pressão alta, epilepsia,
demência, doenças da tireóide, diabetes,
câncer, tabagismo, alcoolismo, insuficiência renal
ou cardíaca, uso de drogas ou medicamentos,
entre outros fatores.
Informações Úteis
Se você quiser saber mais sobre este assunto, existem diversas
páginas na internet dedicadas à saúde dos homens. O site
www.saudevidaonline.com.br, por exemplo, traz dicas para a prevenção
de vários tipos de câncer (inclusive o de testículo), aborda temas
específicos de homens (como problemas de impotência sexual e ejaculação
precoce) e também oferece esclarecimentos sobre DSTs, métodos
anticoncepcionais e, ainda, recomenda os tipos de alimentação
para manter uma vida saudável.
No site do Ministério da Saúde, você vai encontrar, na Biblioteca
Virtual, várias dicas de saúde. O endereço é www.saude.gov.br. Os
postos de saúde da rede pública disponibilizam atendimento para diversas
enfermidades e fazem encaminhamentos a especialistas.