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Amigos da praça

Nos finais de semana e nos feriados a Praça Aquidauana, uma das mais antigas de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, fica cheia de gente. São pessoas que vão para lá para conversar, passear, jogar cartas, tomar caldo de cana ou o tradicional “tererê”, chá de erva mate gelado típico da região. A praça, no entanto, precisa de melhoramentos e os alunos do ProJovem resolveram dar uma mãozinha.

Após pesquisas e debates, os alunos decidiram fazer uma proposta de revitalizaçãoConjunto de ações com o objetivo de dar uma nova vida, uma nova “cara” a algo. da praça, sob a orientação da professora de qualificação profissional de Construção e Reparo II, a arquiteta Priscila Dourada.

Apresentada à Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria de Obras Públicas, a proposta foi aceita pelas autoridades municipais, que reconheceram a necessidade de melhorar e dinamizar aquele espaço público. “A percepção dos alunos estava corretíssima, mas o trabalho terá que se enquadrar nos critérios urbanísticos da Prefeitura”, explica a professora.

Para ela, o mais importante é que a obra será executada e os alunos irão poder acompanhar, junto aos órgãos técnicos, a elaboração do projeto, seguindo cada uma das etapas, sugerindo mudanças e melhoramentos na praça. “Depois,vão acompanhar a obra, ajudar na fiscalização e observar o andamento de trabalhos, cujas técnicas são as mesmas que eles estão aprendendo no curso”, ressalta Priscila.

Um novo rumo

A qualidade do vencedor é nunca desistir – escreveu Laíza Roberta Brito dos Santos, 19 anos, na tela do computador que utiliza no núcleo do ProJovem da Escola Municipal José Rodrigues Benfica. Ela estudou até a quinta série e parou para ajudar a mãe a fazer e vender salgados nas ruas da cidade.

Ainda hoje vende bombons para melhorar a renda da família.“Sou comunicativa, sei conversar e convencer as pessoas a comprar meu produto e, por isso, entrei no curso de Telemática aqui do ProJovem. Quero ser operadora de telemarketing, ganhar um bom salário e ajudar minha mãe”, conta a estudante. Laiza pretende continuar os estudos e torce para que seja criada uma segunda etapa do ProJovem para o ensino de nível médio. “Agora que recomecei e cheguei até aqui, não vou parar nunca”, afirma a aluna.

A aluna Edenilza Alexandre da Silva, 21 anos, optou pelo curso de Saúde porque acha que tem vocação para a área. Ela conta que seu sonho é ser médica, com especialização em pediatria. A aluna diz que está contente com o que vem aprendendo sobre administração, atendimento ao público e ansiosa para conhecer os materiais e instrumentos utilizados nos laboratórios de análises clínicas. “Foi o ProJovem que me deu um novo rumo”, afirma ela, agradecendo a ajuda e as orientações dos professores.“Eles me fizeram pensar no futuro”, acrescenta.

 

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Laíza: “Agora que recomecei e cheguei até aqui, não vou parar nunca.”

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Campo Grande: bases sólidas para o trabalho

utra obra de iniciativa dos alunos será a revitalização dos espaços externos da Escola Municipal José Rodrigues Benfica, onde também funciona o núcleo do ProJovem. A proposta prevê a limpeza, pintura, ajardinamento, plantio de árvores e criação de espaços comunitários.

Se depender da capacidade técnica desenvolvida não haverá qualquer problema. Vários alunos trabalham na construção civil: fazem serviços de pedreiros, serventes, pintores e, também, há jardineiros e trabalhadores de origem rural. Na oficina de Construção e Reparos II, eles aprendem a fazer instalações elétricas residenciais e comerciais, instalação de sistemas eletrônicos de segurança, de linhas e equipamentos de telecomunicações e manutenção de edificações.

O professor de Construção e Reparos II, João Carlos Vailat, diz que o aluno do ProJovem tem todas as condições para aprender o essencial necessário ao exercício das ocupações previstas no arco profissional. “O aperfeiçoamento vem com a prática, mas, ao final do curso, todos sairão daqui com uma base sólida, preparados para disputar o mercado de trabalho”, assegura o professor.

Um exemplo é aluno Cleivison Martins de Araújo Carvalho, 20 anos, que já vem utilizando na própria casa aquilo que aprendeu no ProJovem. Morando sozinho desde 14 anos, idade em que saiu de um orfanato, ele já montou toda a instalação elétrica, a iluminação e o chuveiro do quarto e do banheiro na casa onde mora em Campo Grande.

Atualmente, Cleivison trabalha como chaveiro, mas tem planos para mudar de profissão no ano quem vem. Ele quer trabalhar como instalador de sistemas de alarmes residenciais e cercas eletrificadas para segurança predial e de condomínios. Como já está recebendo as noções básicas no ProJovem, o aluno começou a manter contatos para obter seu credenciamento junto a fornecedores de equipamentos e material necessáriosà confecção das cercas.

“Como tive uma infância e uma adolescência bastante difíceis, eu poderia ter tornado um marginal, um drogado ou um bandido. Mas, resisti e estou aqui vivendo graças ao meu esforço, lutando e vencendo minhas dificuldades. Existe prova maior de que eu sou capaz? É por isso que tenho a certeza de que chegarei à faculdade”, afirma o aluno.

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Edenilza sonha ser pediatra: “O ProJovem me deu um novo rumo.” Cleivison quer fazer sistemas
de alarmes residenciais e cercas eletrificadas: “Estou lutando e vencendo minhas dificuldades.
Existe prova maior de que eu sou capaz?”

Alunas do ProJovem aprovadas no Cefet

Quando pararam de estudar, antes mesmo de concluir o ensino fundamental, elas chegaram a pensar que nunca mais voltariam à escola. Entraram no ProJovem, fizeram todo o curso e hoje são consideradas em suas cidades um exemplo a ser seguido por outros alunos. Micheli Santos Barbosa da Costa, 23 anos, de Boa Vista (RR), e Karina de Castro Silva, 21 anos, de Vitória (ES), foram aprovadas no concurso do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de seus estados. Micheli passou para o curso de Construção Civil e Karina para Secretariado Executivo.

A trajetória de vida das duas alunas, que sequer se conhecem, são muito parecidas. Ambas abandonaram a escola porque tiveram que trabalhar ainda adolescentes para ajudar na renda da família. Tanto Micheli como Karina engravidaram muito cedo, outro fator que contribuiu para dificultar o retorno delas à escola. As ex-alunas do ProJovem têm dois filhos pequenos, mas pensam que a maternidade não é empecilho para as mulheres que querem vencer na vida. “Eu não tenho medo de enfrentar dificuldades, vou me esforçar e concluir o curso”, afirma Micheli.

As duas, no entanto, tiveram a oportunidade de recuperar o tempo perdido quando o Programa foi implantado nas suas cidades. “O ProJovem foi muito importante para mim porque me devolveu a vontade de estudar”, explica Micheli. “No ProJovem, sempre contei com o apoio de todos os professores, que me incentivaram e me deram bons conselhos”, recorda Karina. Ambas também destacam a ajuda dos professores do Programa durante o período de preparação para o concurso do Cefet. “O professor de Português me deu um livro com conteúdos e textos que me ajudou muito no momento da prova”, conta Micheli.

Karina também considera que as dicas dos professores foram fundamentais para a sua aprovação. Micheli se formou em setembro do ano passado e Karina no mês seguinte. As duas começaram seus cursos no Cefet em fevereiro deste ano.

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Karina de Castro Silva, 21 anos, de
Vitória (ES), está cursando Secretariado
Executivo

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Micheli Santos Barbosa da Costa, 23 anos, de Boa Vista (RR), começou
o curso de Construção Civil

 

 

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